Olhei-me no espelho. Pode parecer clichê, mas pela primeira
vez me senti irreconhecível. Olhos vermelhos e úmidos, nariz e bochechas
rosadas e rastros de lágrimas que, a alguns instantes atrás, corriam para baixo
como uma criança corre atrás da bola, mas as lagrimas não corriam atrás de
nada, muito menos por razão de algo. Era só eu, minha tristeza e minha blusa de
moletom que serviu como um perfeito consolo. Era falta de algo, mas eu não
sabia do que. Era o fato de não saber “o
que” que me impossibilitava de procurar soluções. Era esse o motivo para eu
estar em frente ao espelho em prantos. Era por isso que eu não me reconhecia.
Era eu, minha tristeza e meu moletom.
Me daria uns 10 ou 20 anos a mais. Suspirei. O ar quente da
minha boca logo se condensou com a superfície fria do espelho, formaram-se gotículas.
Gotículas como as minhas lagrimas que, no momento, haviam parado.
Pensei. Ficava melhor
pensando do que só olhando para meu maldito reflexo sem nada em mente. Decidi:
Eu iria mudar, eu precisava mudar. Pensei novamente. Definitivamente deveria
pensar mais vezes em frente ao espelho, isso sobe um pouco minha autoestima. “Não
consigo mudar” a frase perambulava no meu pensamento. Eu já havia tentado e
isso já havia falhado. Histórias sem
finais são definitivamente melhores que histórias com finais iguais.
“‘Mas oras, se não consigo me ajudar, ajudarei os outros”. Olhei-me no espelho, mas não naquele espelho.
Suspirei, mas não no meu reflexo. Me daria 20 ou 30 anos a mais. Pensei,
precisava mesmo pensar. Era só eu, o teclado e a tela. A história pode até não ter
final, mas meu texto, ele sim precisa.
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